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terça-feira, 22 de julho de 2008

Moedas



Se empilhássemos todas as moedas do mundo em uma única pilha, qual seria o tamanho dela??
E que vontade de comer moedas de chocolate agora...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

LIVROS - FEITAS PARA VENCER

Feitas para Vencer – James C. Collins e William C. Lazier

Qual será o segredo das empresas de sucesso e qual será a receita de bolo para chegar lá? Será que as empresas sempre precisam de um líder carismático, autoritário e extraordinário para vencer no mercado?

Hoje em dia, com tanta competição no mercado, diversas publicações, como livros e revistas, trazem vez ou outra os passos para vencer no mundo. Mas serão elas receitas de valor ou serão apenas conselhos de pessoas de sucesso que querem ganhar mais dinheiro? E, mesmo tendo valor, serão acompanhadas de devidas reflexões?

No livro, Collins e Lazier explicam, através de pesquisas e histórias reais de diversos empresários e empresas, quais são os fatores comuns a todas elas: histórico, sucesso, crise, decisões. Eles partem da premissa de que uma empresa de sucesso deve responder por quatro pontos fundamentais: desempenho, impacto, reputação e longevidade. Ou, em outras palavras, capacidade de se manter no mercado, com ou sem crises, ter algum tipo de influência sobre os demais, ser respeitada pelos concorrentes e clientes e poder de sobrevivência por gerações.

O livro mostra pontos que são facilmente encontrados dentro de uma empresa, como um chefe distante, funcionários insatisfeitos e concorrência interna. Nesta empresa dificilmente vê-se inovações, pois estas são geralmente “apanhadas” nos detalhes do serviço por profissionais atentos ao trabalho. Também não se enxerga produtividade, pois um “colega de trabalho” quer estar sempre à frente do outro, esquecendo-se da empresa para se fixar na vaga (situação que lembra a política brasileira).

Os autores citam os cinco elementos essencias a uma empresa de sucesso: um estilo de liderança, para passar aos funcionários e clientes a visão da empresa, que será alcançado seguindo-se uma estratégia, acompanhada de inovações, até atingir a excelência tática.

Para se atingir esses elementos, é preciso que o empresário olhe primeiro para si mesmo, que pergunte-se se realmente gosta daquilo que faz e onde deseja chegar ao trabalhar naquilo. A sua empresa será reflexo de sua crença, e ele deve saber transmitir isso aos funcionários para que eles possam trabalhar em equipe, possam ter o horizonte para onde devem voar.

O interessante deste livro é que praticamente descreveu as etapas pela qual a Método Engenharia passou: uma empresa que nasceu por causa do empreendedor que havia e há em seus fundadores, passou por uma crise e teve que se reestruturar, alcançou um sucesso, diversificou os serviços, mas não foi estabalecida uma nova missão, o que trouxe outra crise e uma outra reestruturação, em busca de um novo objetivo. E, o mais importante, foi o aprendizado com tudo isso, de que realmente o livro acompanha a realidade e questões referentes a filosofia da empresa, qualidade e ética contam muito dentro e fora das organizações.

Fazer parte de uma empresa que deseja atingir o grau de “extraordinária” não significa atingir um rápido crescimento, atingir uma alta lucratividade em pouco tempo. Significa combinar os talentos de cada trabalhador, que se identificam com os valores da empresa, em prol de um valor comum, sem esquecer a humildade e o respeito. E apesar do livro não mostrar casos brasileiros (talvez pela raridade de “empresas extraordinárias” no país) podemos realizar um estudo e perceber que algumas possuem certos elementos, mais que ainda estão sendo desenvolvidas. E dentro deste contexto fica nossa motivação, um desavio para vencer.

domingo, 20 de julho de 2008

LIVROS - O MUNDO É PLANO

O Mundo é Plano – Uma Breve História do Século XXI: Thomas L. Friedman

Em “O Mundo é Plano”, Thomas Friedman explica as transformações ocorridas no final do século XX e início do XXI que resultaram no que ele chamou de “mundo achatado” de hoje. Entre essas transformações está a queda do muro de Berlin, ocorrida em 1989, que derrubou consigo o sistema de economia planificada e abriu o mercado dos países que antes viviam sob tutela soviética. Também nessa época foram lançados os primeiros computadores de uso pessoal com Windows, que tornava a interface mais amigável, levando os PCs para fora do universo dos acadêmicos e cientistas.

Isso tudo foi somente um passo. A abertura de capital da Netscape na bolsa de valores iniciou a bolha das empresas ponto.com, o que foi um salto: a internet alcançou sucesso, apoiado pelos softwares de fluxo de trabalho que permitia a comunicação entre diferentes plataformas desenvolvidas até então, e pelo código aberto que, à partir de um código base funcional (e grátis), qualquer um podia desenvolver seu próprio programa, melhorá-lo e diferenciá-lo dos demais para competir e vencer no mercado.

Friedman cita a Índia por diversas vezes no livro, pois é um dos países que melhor exemplifica o seu conceito de que o mundo se “achatou”, da abertura de sua economia e dos seus trabalhadores qualificados até a compra de fibras ópticas das falidas empresas ponto.com e toda sua terceirização de serviço que prestou e presta aos americanos durante e após o bug do milênio, sempre com salários mais baixos que os pagos nos EUA.

Isto é outra força que “achatou” o mundo, a terceirização, e a Índia é o melhor exemplo para isso. A China, outro país que é citado por diversas vezes pelo autor, atua em outra frente, o offshoring, que é a transferência de toda a linha de produção para outro país, somente para aproveitar os baixos salários (e trabalhadores qualificados) e outras vantagens competitivas. Entretanto, poucas vezes o autor explica sobre as diferentes realidades que exitem dentro desses países: na Índia há muita pobreza longe de sua vale do silício e na China muitos dos direitos aos trabalhadores são praticamente inexistentes.

É preciso observar também como esse “mundo plano” pode nos fazer ter crises de identidade, pois como cliente, queremos preços baratos e bons produtos, como trabalhadores desejamos ter bons salários e como empresa planejamos pagar menos ou ter menores custos com o empregado. Desta forma, é preciso encontrar um equilíbrio nessas balanças, o que nem sempre é feito.

Toda essa controvérsia entra nas cadeias de fornecimento também, outra força que “achatou” o mundo. As cadeias de fonecimento garantem que seu produto ou parte dele nunca falte nas lojas ou no mercado, otimizando as práticas de entrega e distribuição. Porém, como as empresas geralmente não querem, não desejam ou não podem cuidar de toda essa logística, entra em cena outras empresas, às vezes pequenas, que podem cuidar dessa fase do negócio, num processo de internalização, e com ela mais parceiros participam do processo e logo toda uma rede de informação passa a ser necessária. E, somando-se todas essas forças ao avanço constante da tecnologia, temos um dos fatores que causou a transformação do mundo em tão pouco tempo.

Os outros fatores, uma nova maneira de atuar no mercado e a entrada de uma enorme quantidade de mão de obra no mercado, graças a entrada de países como China e Índia, convergiram no século XXI, e aqueles que estavam ligados ao mundo corporativista foram os primeiros a perceber que a realidade à sua volta estava se transformando, e era bom que eles também acompanhassem essas transformações.

O mundo não era mais o mesmo: o conhecimento passou a ser acessível a qualquer um graças à internet, as empresas não sobreviviam mais sozinhas, precisavam de parceiros, países que temiam os efeitos das transformações protegiam-se como podiam enquanto aqueles que queriam a transformação lutavam para vencer as barreiras. O mundo encolheu, não se achatou, e o próprio Friedman afirma que o mundo não é plano. Encolheu a ponto dos sopros de países influentes regional ou mundialmente serem sentidos como um furação por qualquer indivíduo longe desses centros.

A recente publicação de charges com a figura de Maomé num país minúsculo como a Dinamarca provocou revoltas no Oriente Médio. Qualquer decisão dos EUA quanto a sua política afeta a política de tantos outros países. A idéia de retomada do programa nuclear iraniano apavora a Europa. Qualquer tropeço do Brasil freia o Mercosul. Toda essa interligação entre os diferentes países (e empresas também) leva à necessidade do entendimento e respeito dos fatores invisíveis, como religião, cultura, etc. Neste mundo globalizado, ou na globalização 3.0, como cita o autor, o indivíduo é que deve se questionar sobre como se encaixar nessa realidade. Transformações devem ocorrer de dentro para fora para que algo torne-se efetivamente ativo.

O autor explica bem todos as transformações, foca nos acontecimentos e tenta dar uma direção aos EUA neste novo contexto mundial, mas muitas vezes exagera no tom, quase que ignorando a verdadeira realidade dos países em desenvolvimento e as políticas dos órgãos mundiais. É um livro de um norte americano para norte americanos, mas que, neste mundo encolhido e não plano, orienta-nos dentro do cenário internacional.

Fotos - Festival do Japão

Algumas fotos do 11o Festival do Japão, que aconteceu nos dias 18, 19 e 20 de Julho, no Centro de Exposição Imigrantes. O foco central da festa deste ano foi o centenário de imigração japonesa.

Portão montado na entrada do evento.

Alas carnavalescas em origami.


Uma cerveja vai bem (mas se beber, não dirija).


Flores em detalhes.











Até que as fotos ficaram legais...


Fotos - Tanabata 2008

Algumas fotos do Tanabata 2008, em 12/07, na Liberdade-SP.


















sábado, 19 de julho de 2008

LIVROS - EMPRESAS FEITAS PARA VENCER

Empresas Feitas para Vencer: Por que apenas algumas empresas brilham – Jim Collins
Elsevier Editora Ltda – 2001

Partindo da afirmação de que o bom é inimigo do ótimo, o autor buscou os caminhos que transformassem uma empresa boa em excelente, se isso era possível ou se uma empresa já nasce com essa característica e, portanto, é impossível haver tal transformação.

O autor comparou empresas boas e excelentes, dentro de um período de quinze anos, cujas ações estiveram acima ou abaixo da média, e dentro da classificação que obteve montou uma caixa preta que acaba abrindo no decorrer do livro, revelando algumas características comuns a todas empresas excelentes, dentre elas a existência do líder nível 5, a importância das pessoas, enfrentamento da realidade sem perder a esperança, o conceito do porco espinho, a disciplina, aceleradores tecnológicos e o volante e o círculo da destruição.

O líder nível 5, presente em toda fase de ruptura de boa para excelente, é uma pessoa humilde, modesta, trabalhadora, que interessa-se pelo crescimento da empresa e que divide seu sucesso e assume pessoalmente os fracassos. Geralmente não aparecem na grande mídia, são originários de dentro da própria empresa e atribuem à sorte as consequencias de seu sua competência.

Mas além dele é preciso também haver as pessoas certas dentro da equipe, não necessariamente devido ao seu grau de conhecimento e sim devido aos seus traços interiores, como caráter e talentos inatos. Elas são importantes tanto para que a empresa não desmorone quando o líder for embora quanto para a escolha de um novo líder que continue com o crescimento da empresa. Além disso, as pessoas certas se automotivam para fazerem as coisas, não é preciso gastar tempo e dinheiro para as motivarem.

Essa equipe deve encarar a realidade, sem criar fantasias em relação à ela, mas mantendo sempre a fé. Essa equipe deve ter opiniões diferentes que promovam o debate, mas que no fim as decisões por ela tomada caminhem a empresa em direção à verdade, através do diálogo, da autópsia da questão, questionamento e montagem de equipamentos de alerta sobre informações que não podem ser ignoradas.

Esse conjunto de fatores ajuda a caminhar a empresa para a excelência, e não devemos esquecer que, mesmo atingido tal patamar, elas continuam a enfrentar os mesmo problemas que qualquer empresa. A questão que as torna diferentes é o modo como elas encaram os problemas, seguindo o paradoxo de Stockdale: mantenha a mais absoluta fé em que voce pode e vai sair vencendor no final, independentemente das dificuldades e ao mesmo tempo encare e enfrente a dura realidade de sua situação, seja ela qual for.

O conceito do porco-espinho traduz um entendimento simples a respeito de três círculos que envolvem: aquilo que a empresa faz de melhor, aquilo que movimenta seu motor econômico e sua paixão por fazer isso. A intersecção desses círculos é que envolve o conceito do porco-espinho, um equilíbrio entre eles em que não de seve priorizar um em deprimento do outro.

De todos os itens citados, para que seja obtido resultado duradouro e substancial é preciso que haja disciplina, tanto da equipe quanto do líder. Isso implica em automotivação, que não é preciso gastar tempo e dinheiro motivando as pessoas, elas fazem isso por si só.

Mas uma das coisas que mais impressionou o autor foi que a tecnologia não foi considerada uma das coisas mais importantes para a transformação das empresas de boas para excelentes. Elas apenas serviram como aceleradores tecnológicos, ou seja, atuaram para melhorar um processo que já vinha sendo melhorado.

Somado a tudo isso, as empresas excelentes procuram sempre seguir o volante, ou seja, sempre revisarem para não tropeçarem no meio do caminho e voltarem ao estágio inicial. Ao contrário de algumas empresas, que, baseando-se nos mesmos princípios, mas não seguindo-os corretamente, o volante pode se transformar num circuito da destruição, em outras palavras, a empresa começa a buscar outras áreas para atuar, de forma irracional, ou a aplicar políticas para melhorar o desempenho que apenas prejudicam seu potencial, entrando numa queda vertiginosa.

Apesar de serem conceitos algumas vezes simples, algumas vezes contra o senso comum, nenhuma transformação ocorreu do nada. As empresas que passaram de boa para excelente viveram o processo e o resultado nada mais foi que algo natural que iria ser atingido.

Ao contrário do seu outro livro, Feitas para Vencer, neste livro Jim Collins tentou ser mais generalista, demonstrando situações exatamente que foram contra o senso comum e a importâncias de se ter as pessoas certas dentro da empresa. A própria apresentação do livro, com gráficos e tabelas, acaba transmitindo um certo grau de confiabilidade aos seus estudos, mas deve-se levar em conta também em quais culturas ele se baseiou, e se realmente o estudo é atemporal, pois o livro, de 2001, é anterior às ameaças terroristas e aos novos problemas do século XXI.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

LIVRO - EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA DA LIBERDADE

Como podemos levar as pessoas a pensar sobre liberdade se estão imersos em opressão desde que elas se conhecem como gente? Como levá-las ao pensamento crítico para diferenciar entre a opressão severa, a opressão de boas relações das verdadeiras ações libertadoras? Paulo Freire sustenta a opinião que a educação é uma das formas mais viáveis para levar isso a todas as pessoas. Mas será realmente fácil esta tarefa?

Em seu livro, Educação como prática da liberdade, o pedagogo procura, como ocorrida em Pedagogia do Oprimido, explicar o Homem no mundo e com o mundo, como são suas relações com seu exterior e com outros indivíduos. Diferenciado dos outros animais, o Homem é um ser de relações e contatos, e assim sua influência e suas ações acabam por influenciar os outros que o cercam, levando a situações de prisão, opressão, ou libertação, descobrimento.

Muitos dos seus pontos de vista são inter relacionados com o livro de Erich Fromm, Medo à Liberdade, com a idéia de acomodamento ante a situação de opressão, pois, privado da liberdade, o indivíduo deixa de preocupar-se com muitas situações e com o medo de cometer erros por decisões erradas, decisões que seres livres devem tomar para seguir na vida, decisões que passam a ser tomadas pelos opressores, agora senhores de seus passos também. Ou, em outras palavras, como diz Joel Rufino dos Santos, o indivíduo, ao ter sua liberdade suprimida, coisifica-se, tendo seu ”destino” nas mãos de seus “senhores”. E, se nestes termos esta situação aparenta apenas com a relação escravo-senhor de engenho, camponês-senhor feudal, é preciso refletir (que o ser crítico deve ser capaz de fazer) sobre muitas outras relações que podemos ver nos dias de hoje: patrão-empregado, marido-esposa, filhos-pais, e perguntar a nós mesmos se estas relações também não nos privam da liberdade.

Por enxergar o antes, o agora e talvez o depois numa linha de tempo, o Homem, além de poder estudar sua própria história, também pode ver-se inserido nela, de perceber as transformações que ocorreram na sociedade e também como muitas mudanças não são totalmente compreendidas no momento, apenas após a consolidação das bases para que todo resultado pudesse ser visível. Desta forma, vemos que as transformações, em particular da sociedade brasileira (em que se baseia o ensaio de Freire), levam tempo para ocorrem, e muitas vezes são imperceptíveis. Entretanto, quando muitas “revoluções” causadas por “delinqüentes” começam a ocorrer, ou então muitas ações envolvendo “desordeiros” fazem-se sentir, nada mais são do que sinais de uma sociedade em trânsito, em uma mudança com o povo e não sobre ele. Mas será que isso aconteceu no Brasil?

Ocorre no Brasil que sua inexperiência democrática ou política, especialmente das camadas mais baixas, favorece o crescimento da opressão pela bondade: através de favores as camadas mais humildes cedem sua liberdade, acomodam-se desta forma e não criam uma consciência crítica capaz de retirá-lo desta posição, e esta situação prolonga-se desde a época colonial. Desta forma, as idéias de Paulo Freire para educar o povo de modo a torná-lo crítico vai contra muitos interesses da elite dominante, que prefere manter o atual status quo, impedindo que uma ação democrática, que só pode ocorrer com o consentimento do povo e com suas próprias mãos, possa ocorrer.

A educação deve ser prioridade para que cada indivíduo possa ser crítico e enxergue os problemas e as soluções para suas questões e as do povo, fazendo-o mudar de atitude frente à realidade que o cerca. A educação atual segue muito a repetição de modelos, ditando idéias sem discuti-las, trabalhando sobre o educando e não com ele, como muito enfatizado em Pedagogia do Oprimido.

Entretanto, mesmo com a conscientização da importância da educação, e mesmo consciente da importância da educação para formação do ser humano, fica a questão sobre a verdadeira liberdade que é-se alcançada através desta: não haverá influência, formatação do indivíduo através de pequenas sugestões, suprimindo-o da real liberdade para criação de sua própria observação do mundo? Mesmo com a explicação de sua técnica de ensino e como pode alfabetizar uma pessoa em pouco tempo de forma crítica, resta esta última questão.