Entre Páginas

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sites Interessantes

http://www.vinhedogourmet.com.br/

Para quem estiver a fim de vinhos, boa música, shows e exposições, vai aí uma dica do Ulisses.

Neste fim de semana rola a 4a Edição do Festival Gastronômico Vinheod Gourmet, em Vinhedo-SP. Mais informações pelo site acima.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

LIVROS - CHINA, O RENASCIMENTO DO IMPÉRIO

Cláudia Trevisan foi correspondete da Folha de São Paulo durante um ano na China (2004-2005), encontrando um país totalmente diferente do que imaginava, apesar de ter analisado seus aspectos econômicos e sociais anteriormente à viagem.

Já nas primeiras páginas, ao estilo de O Mundo é Plano, de Thomas Friedman, Trevisan relata sua experiência, quase que num tom confessional, sobre tudo o que sentiu desde o dia que chegou em Pequim e os demais dias de seu trabalho e lazer, misturando textos com seu ponto de vista com textos jornalísticos, comparando muitas vezes as culturas chinesa e brasileira para que o leitor tenha uma base de como foi o choque cultural. Este choque, aliás, inevitável, ainda mais em se tratando de ocidente e oriente.

Exemplo claro deste choque cultural enxerga-se na surpresa da autora ao se deparar com os hutongs, espécie de cortiço familiar (impressão pessoal) onde privacidade é uma palavra quase que desconhecida aos olhos ocidentais. Além disso, realiza um vôo rápido a respeito de diversos pontos, como o tipo de banheiro público, a ocidentalização, o sucesso latino, os grilos como mascotes preferidos, as olimpíadas de 2008, a superstição, o guanxi, que é uma espécie de rede de relacionamentos criado exclusivamente com o intuito de interesses, etc.

Entretanto, nesse sobrevôo, o que é passado de mais interessante, pelo menos em termos empresariais, é observar o boom da construção: a China está crescendo, transformando outroras vilarejos em modernos centros, numa fome de lucratividade e numa corrida para serem os primeiros, senão o primeiro, do mundo, em termos econômicos e industriais, numa bolha que especialistas dizem estar longe do fim. Mas esse crescimento gera outros problemas, como conflitos com moradores dos hutongs, que estão sendo desapropriados para que novos prédios sejam construídos; aumento da poluição com o aumento do número de carros e incremento no número de portadores do vírus HIV devido à falta de informação sobre prevenção.

Xangai é a melhor cidade para representar o crescimento chinês, de acordo com a autora. Em muito o Partido Comunista auxiliou na transformação da cidade, com sedes de importantes empresas transnacionais, especialmente automobilística, tornando-se a Detroit da China. Outro destaque da China é sua necessidade de ostentação, talvez devido o PCC ter que entregar o poder em alguns anos e querer oferecer uma boa estrutura para não perder o posto, talvez pela própria necessidade de aparecer ao mundo.

Porém, o Partido Comunista permance com alguns vícios, como a prisão de ´dissidentes´ que ameacem o sistema, sob desculpa de insanidade, e censura dos meios de comunicação. Fora isso, o apoio a países com regimes democráticos duvidosos ou envolvidos em conflitos, somente devido à necessidade da matéria prima que esses países fornecem, causam certo desconforto por parte dos países ´democráticos´ poderosos. Somado tudo isso ao seu fortalecimento militar, especialmente devido ao caso Taiwan, há um certo temor velado de que a China possa tornar-se uma nação que influencie diretamente todas as decisões mundiais, seja pela forma econômica como anda sendo, seja pela força, como pode ser, como foi e é o caso dos EUA, pricipalmente na segunda metade do século XX.

A China renasceu, depois de um soluço entre o começo do século XIX e metade do século XX. Renasceu controlando uma nação diversa, com uma enorme rixa contra o Japão devido à Segunda Guerra Mundial, com um governo não democrático que distribuiu o desenvolvimento e parte da riqueza, que deu as cartas no jogo para atingir seus objetivos. As empresas estrangeiras que se instalaram no país precisavam se associar com alguma empresa local ou oferecer transferência de tecnologia o que, num momento, torna-se prejudicial à própria empresa, que verá o surgimento de um concorrênte em potencial, mas isso é a única forma de entrar no grande mercado chinês.

Friedman ofereceu uma visão da China para os leitores americanos, deixando passar um fator importante em se tratando de negócios com outros países: a cultura. Ao mostrar desde a habilidade de dirigir até o jeito dos banheiros, Trevisan não ofereceu apenas um lado curioso da China como também tentou explicar que tudo aquilo faz parte da história de um povo, ou de vários povos, que resultou naquela nação. Trata-se da adaptação de novas habilidades convivendo com antigos costumes. E nisso o autor americano deixa transparecer sua própria cultura, a de focar-se sempre no seu próprio umbigo, ao contrário da brasileira, que, além de focar o lado de fora, buscou comparar com o lado de dentro. Mesmo inserindo fatos que fugia do escopo do livro, a obra em si retrada o essencial da China para o Brasil e também de como as políticas nacionais vêm pecando não de hoje, mas há muito mais tempo, e que de nada adianta surgir um governo hoje que prometa a metade do crescimento chinês em quatro anos se isso a China o fez em mais de duas décadas de planejamento e organização.

terça-feira, 15 de julho de 2008

ATENÇÃO 2

Aos poucos estou acertando as coisas...

Os arquivos deste blog serão revisados e destinados para outro blog. E o que sobrará para este?Será o que o próprio nome se refere: entre imagens.

Abraços aos leitores

http://apedoale.blogspot.com

sexta-feira, 11 de julho de 2008

ATENÇÃO

Estou remodelando algumas coisas. Ainda não sei se manterei este blog em funcionamento.


E não, não estou fazendo isso por causa do mendigo...

sábado, 5 de julho de 2008

Conto - O Mendigo - Parte II

Minha mão atravessou o trapo humano, a bola e o menino atravessaram o trapo humano, as câmeras do condomínio não gravaram o trapo humano, só eu via o trapo humano!! Por quê? Por quê? Por quê?


Nem a cerveja nem Jack Daniel´s me ajudaram a recompôr as idéias. Nem mesmo voltei para meu apartamento. Passei a noite num pequeno hotel próximo da avenida Paulista. O que era aquilo, eu teria enlouquecido? O mendigo não existia? E como era possível que eu tivesse sentido o cheiro, que eu visse aquele trapo humano no chão???


O que Freud poderia dizer de uma situação destas? Provalvemente que eu ignorei minha mãe e por dentro estava me sentindo um miserável... ou me sentia um miserável porque eu sentia atração pela minha mãe... cara, às vezes Freud mais complica do que explica...


Muito bem, vamos raciocinar: meu apê fica perto da Liberdade. Liberdade, bairro oriental. Oriente, Japão. Japão, muitas histórias de espíritos. Sim, pode ser. O Alexandre é que gosta dessas histórias, ele é que ia gostar disso. Mas nunca vi mendigo japonês. Ainda mais mendigo fantasma japonês...


Bom, tem uma rua perto do apê que é a Rua do Bixiga. Bixiga remete à italianos. Fantasmas italianos. Mas fantasma italiano é coisa que nunca ouvi falar, pensando bem. Sei dos fantasmas japoneses por causa daqueles filmes de terror, dos fantasmas americanos por causas de outros filmes, de espíritos franceses, de reis da Espanha e de Portugal, do lobisomem americano em Londres... mas fantasma italiano...


Ok, Brasil, São Paulo. Vejamos. Zé do Caixão. Sim, tá mais para cara dele. O trapo humano, o cheiro desgraçado de urina e fezes, São Paulo. Hum... não, ainda falta as pragas dele, e o mendigo só roncava...
Pelo amor de Deus, estou delirando aqui, tentando achar uma explicação para aquele mendigo. O que ele pode ser? O que ele pode não ser? Ou será que o problema não é ele, sou eu? Eu estou ficando louco? Ou algo parecido?


Continua

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Conto - O Mendigo - Parte I

Me mudei para São Paulo há cerca de 4 meses, e durante todo esse tempo só tinha uma reclamação quanto à minha vizinhança: um mendigo que dormia perto do portão do prédio onde fica o meu apartamento.


Reclamação porque todos os dias saio cedo e vem aquele cheiro de urina e fezes debaixo daquele cobertor cinza e carregado de moscas. Nem sabia se o cheiro era do mendigo ou de seu cobertor, só sabia que me incomodava. E quando voltava para casa, lá estava ele, estirado no mesmo lugar, dormindo como se não houvesse nada de errado.


Como eu sempre saia cedo e voltava tarde, era difícil ter contato com algum outro morador. Conseguia conversar apenas com o porteiro, de sábado, mas aparentemente minha reclamação nunca ia para frente: ninguém reclamava daquele mendigo, somente eu. Eu achava que ele dizia isso por ser apenas um porteiro que nem morava lá, que entrava e saía do serviço e nunca chegava a encontrar com o trapo humano na calçada.


Minha rotina ainda era estressante, até que consegui uma semana de folga do serviço e podia finalmente colocar meus outros afazeres em dia. E um desses afazeres era ter uma conversa direta com o síndico...


O síndico era um homem gordo, careca e com um grande bigode. Era de voz calma e aparentava ser uma pessoa muito simples. Expliquei o que me incomodava, que aquele mendigo era um perigo para a segurança do prédio, que ninguém havia comentado sobre a presença dele quando eu havia comprado o apartamento. O síndico escutou-me com atenção, disse que entendia perfeitamente minhas razões, porém não podia fazer nada: ninguém mais tinha aquela reclamação.


Para que eu não perdesse meu tempo, ele peguntou as horas que eu costumava chegar, para ver se encontrava o mendigo para proibí-lo de dormir lá. Agradecido, sai como se um enorme peso fosse tirado das minhas costas e dormi tranquilo naquela noite.


No dia seguinte, encontrei-me com o síndico no corredor, e perguntei sobre o mendigo. Nada. Nenhum mendigo apareceu naquela noite. Teria já ido embora? O síndico disse que ficaria de olho aberto e despediu-se de mim, e tomei meu rumo para o elevador. Precisava fazer algumas compras. Nem lembrava mais como era sair daquele prédio sem sentir aquele cheiro horrível no portão.


Acenei para o porteiro e empurrei o portão. Não era possível! O cheiro horrível novamente. Olho para a calçada. Lá estava o mendigo, encostado na parede, coberto pelo cobertor cinza, envolto em sua nuvem mal cheirosa.


Entrei e fui direto falar com o porteiro. Avisei sobre o mendigo. Mandei que chamasse o síndico. Eles tinham que fazer alguma coisa.


"Não tem ninguém aqui" - disse o porteiro, olhando para os monitores de segurança. Teria ele já ido embora?


"Não se preocupe não, moço, que daqui eu vejo tudo que acontece na rua!"


Novamente, mal o portão abriu, senti o cheiro. Olhei para o canto. Lá estava ele, o mendigo. Chamei o porteiro. Demorou um pouco antes dele aparecer.


"Viu o mendigo na rua, moço?"


"Na rua o quê, ele tá aqui!"


"Aonde, moço?"


"Ali, no chão!"


"Não tem ninguém, moço!"


"Como, não tem ninguém se eu tô vendo?"


"Na câmera não aparece ninguém!"


Aproximei-me do mendigo. O desgraçado ainda roncava. Tinha que ser problema com a câmera. Dei um chute para ver se ele acordava.


"Acorda aí, vagabundo, aqui não é lugar de dormir!"


Nada. Estaria morto? Ainda com o pé tentei tirar o cobertor, porém ele não saiu. O mendigo movimentou-se. Ele estava vivo. O porteiro apareceu no portão.


"Achou o mendigo, moço?"


"Olha aí, não tá vendo?"


"Moço... não tem nada aí..."


"Como é que é?"


"Não tem nada aí, moço..."


"Você está de brincadeira comigo, porteiro! Olha o cara aí!"


"Não é brincadeira não, moço..."


"Olha o cara aqui..."


Mal terminei minha frase e uma bola atravessou o corpo inteiro do mendigo, chegando aos pés do porteiro. Um menino veio correndo pela calçada, passou por cima do trapo humano e foi recuperar sua diversão. Não, minto. O menino não passou por cima. Ele passou através, igual a bola.


"Menino... o que você está vendo aqui nesse canto?" e apontei para o mendigo.


"Hum... nada..."


"Como, nada? Não está vendo nada aqui?"


"Não... o que é que tem para ver?"


Agachei e tentei pegar o cobertor imundo, já ignorando aquela brincadeira dos dois. O mendigo teria que ir embora de qualquer jeito. Porém, da mesma forma que a bola e o menino, minha mão atravessou o trapo humano como se não existisse. Levantei rapidamente, encarei o porteiro e o menino e sai em disparada para o bar mais próximo. Eu só podia estar sonhando ou ter bebido de menos...


Continua

Sonho - Corte com buraco

Ontem sonhei que estava numa rua, jogando estrelas ninja nos carros que passavam junto com algumas pessoas. Parecia até um tipo de competição, como garotas versus garotos. Até que chegou uma hora e todos resolveram ir embora. Eu ia também, mas tinha um prédio do outro lado da rua que me chamou a atenção.
Comecei a atravessar a rua, sem olhar para os lados, pois sabia que nenhum carro estava passando por lá, apesar de minutos antes aquele lugar era um verdadeiro corredor em alta velocidade.
Entrei no prédio. Parecia um restaurante antigo, ao estilo coreano. Pelo menos haviam caracteres coreanos numa parede. O lugar parecia um restaurante, com suas mesas vermelhas e espelhos nas paredes, mas na verdade era uma barbearia. Um velho senhor, coreano, veio me atender, e eu disse que queria cortar o cabelo. Alguma coisa me dizia que eu devia ter receio em cortar cabelo ali, pois não devia confiar naquele senhor, mas ao mesmo tempo havia algo que dizia exatamente o contrário.
Então, me indicando a cadeira para sentar, ele perguntou qual corte eu queria, a com buraco ou sem buraco. Como não entendi a pergunta, ele foi até a parede que dava para a porta de entrada e tirou uma fotografia de trás de uma cortina vermelha, coisa que até então não havia reparado. E ele mostrou uma foto em preto e branco, daquele mesmo lugar, com três homens e uma mulher, felizes. Ele mostrou dois deles e disse que era daquele jeito o corte com buraco, mas continuei sem entender, porém não demonstrei minha dúvido naquele momento porque outra coisa havia chamado minha atenção.
Perguntei se ele conhecia as pessoas na foto, e ele disse que sim, que eram pessoas que foram muito importantes em sua vida, que o apoiaram num momento difícil. Eu não podia acreditar no que estava vendo. Era uma foto dos meus pais e mais dois parentes meus. Quando disse isso, o senhor também ficou espantado e alegre, e então notei as outras fotos presente atrás da cortina. Havia uma foto que pude reconhecer alguns primos, outra, aparentemente, era uma foto onde eu também aparecia, ainda criança, carregado por alguém, na época em que morava na chácara.
Não perguntei ao senhor no que meus pais o ajudaram. Sabia que estávamos próximos de um aeroporto, que isso podia ter algo a ver com toda história. Mas era só isso que sabia. E então acordei.
Aquela foto eu nunca vi em casa, mas eram realmente meus pais, mais jovens, e mais aqueles dois parentes que vez ou outra aparecem nas festas de família. No sonho, o velho senhor começou a cortar meu cabelo "com buraco", mas não cheguei a ver ou entender o que isso significava. Nem que favor meus pais fizeram por ele.
Só sei que o senhor esqueceu de colocar o avental, e minha roupa ficou com cabelos cortados...